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Poema

 

Se Tu Quiseres Senhor

Se Tu quiseres, Senhor, eu terei paz
Paz e alegria que este mundo comporta
Se Tu quiseres, Senhor, eu terei muita fé
A fé grandiosa que os montes
transporta.

Se Tu quiseres, Senhor, eu terei amor
Abundante, para ao redor espalhar
Se Tu quiseres, Senhor, eu puderei
A amigos e inimigos igualmente
amar.

Se Tu quiseres, meu Deus, eu serei uma luz
Neste mundo de trevas e pecado,
Se Tu quiseres, Senhor, findo o meu tempo aqui
Eu estarei, vitoriosa, feliz, sempre a Teu lado.

Em Ti confio, Senhor, em Ti espero
Que um dia gozarei de Tua Glória
Mesmo mísera pecadora serei limpa
Alcançarei em Jesus minha vitória.

© Maria do Carmo Santos Albino Tadeu

O Chamado do Obreiro

Fui chamado p’ra servir a meu Senhor
e escolhido de entre a grande multidão.
Mesmo não tendo em mim qualquer valor,
fui chamado p’ra servir a meu Senhor.

Fui chamado para olhar a meu Senhor
e conhecer a minha triste condição.
E apesar de miserável e pecador,
fui chamado para olhar a meu Senhor.

Fui chamado para amar a meu Senhor
que me amou antes de eu O conhecer.
E por Sua compaixão, pelo Seu imenso amor,
fui chamado para amar a meu Senhor.

Fui chamado p’ra imitar a meu Senhor
Deus piedoso, misericordioso e bom.
Deus longânimo no perdão e tardio no furor.
Fui chamado p’ra imitar a meu Senhor.

Fui chamado p’ra lutar com meu Senhor
em favor dos que perecem junto a mim.
Em favor dos meus irmãos e dos que vivem sem amor,
fui chamado p’ra lutar com meu Senhor.

Fui chamado p’ra vencer com meu Senhor
que me ajuda, pois sozinho nada sou.
Ele me dá paz, vigor.
Com Ele serei vencedor.
Fui chamado p’ra vencer com meu Senhor!

© Maria Sales
Forte Catalazete, Janeiro 1999

Toma os pedaços...

Toma os pedaços que restam
deste meu pobre viver
junta-os, transforma-os,
renova-os,
de acordo com o Teu querer.

Toma os pequenos farrapos
velhos, sujos, sem valor,
lava-os, pinta-os,
remodela-os,
de acordo com o Teu amor.

Toma o pouco que ainda resta
deste ser inútil, vão
e que Tuas mãos bondosas
substituam o que existe
de mau em meu coração.

Só Tua imensa bondade,
só Tua graça sem par,
podem, deste ser vazio,
pecador e arredio,
um novo ser recriar.

© Maria Sales
Revista Adventista Julho 2009

A Família

O que Deus ajuntou,
Não separe o Homem!
Mas o Homem sonhou,
E o meio desses sonhos,
Teve pesadelos,
Sonhos maus,
Em vez de belos
E meteu os pés
Pelas mãos,
Sem saber mais
O sentido da razão

Família ...
O que é hoje em dia?
Amor? O que é?
Sentimento ou Orgia?
Respeito,
Será que ele existe
Pelos filhos que sofrem
Em cada lar desfeito?
Homem ou Mulher
Acordaste do sonho
Talvez sem querer

E agora desperto
Esta questão te ponho:
Para onde navegas,
No barco ou no Mundo?
Assim vais de certo
Para um poço sem fundo,
Onde só em Deus
Ajuda encontrarás
Mas em em cada dia pensarás,
Nas palavras que Ele ditou
“Não separe o Homem
O que Deus juntou”

© Leonor Paulino
Festival de Poesia em Peniche 1991

Mortal

Una palabra

Eterno, não sou.
Só uma flor de tempo
e água
que gotejando vida se desfaz.

Leve pétala de nuvem
silenciosa e frágil.
Equilibra-se no segundo breve...
e chove.
Cada dia minha rosa,
folha por folha se desfaz e cai.

Quando minha pétala
morrer sobre
a terra amiga
dormirei sem cores.

Noite apagada,
tronco sem brotos,
vertente sem água.
Nada.

Sem sonhos, sem cantos,
sem donos, sem prantos.
Sem desejos, sem anos,
sem mente. Sem palavra.

Quando reviver a Aurora
brilharei de novo
com o lustre da luz
nas cores.

© Mário Veloso   “Diálogo”

Cinco Pães

A dor não se acaba. Arrebenta.
Rasga as entranhas com unhas de aço,
desordena a mente, tornando-a frágil.
Que medo!
Já não há paz interior, não há confiança,
não há um irmão próximo.
Só o ego maldito nos ordena e oprime.
Quanto tempo esta força de
sepulcros infernais
seguirá controlando a Terra?
Quanto tempo a angústia
de comer pão alheio
seguirá destruindo com sua inveja e veneno?
Quanto tempo, Senhor, quanto tempo
Continuaremos a reter a angústia
de egoísta miséria?

Tenho cinco pães.
Aqui estão, ó Mestre.
Queres Tu transformá-los
em completo pão nosso?

© Mário Veloso   “Diálogo”

Sou (Regresso)

Menino triste e silencioso.
Solitário.
Caminhava pelos trigais.
Entravam em minhas veias
seus ráios de luz
com tremores de terra alheia,
com harpas de rios novos,
com distâncias desgranadas
rodando rodas de caminhos.
E nas tardes de estio,
só, caminhando junto ao rio,
comi o pão viageiro do
peregrino.

Quedou o restolho dormindo
sobre um campo que não herdei.
Trigo, luz e caminho —
quedaram escondidos.
E outro Trigo e outro Estio,
generosos de luz,
seguem comigo.
Sou do mundo peregrino.
Sou viajor pelos caminhos.
Sou arauto de uma Cruz.

© Mário Veloso   “Diálogo”

Tua Mão (Regresso)

Tua mão me acende uns círios
que o vento não apaga.
Bem sei que tive
cristais quebrados
e o teto pelo qual a chuva
caíra em meu quarto.
Bem sei que furacões deixaram meu corpo
desnudo no campo,
e sei que mãos traidoras
romperam minha carne e meus ossos.
A noite era negra. A noite era fria.
Sua garra era dura, mui dura...
e feria.
Tua mão, Jesus Nazareno,
me acendeu uns círios
que todo este vento não apaga.
Tive tristezas. Tu tiveste confiança.
Sei que em Tua mão se aninha a aurora,
que nela uns cravos
abriram janelas pelas quais chove
a glória de um mundo distinto,
por onde contemplo esse Reino
que Tu estás trazendo...
e já chega contigo, Jesus Nazareno.

© Mário Veloso   “Diálogo”